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"O Asno de Ouro" no Clube do Livro Junguiano

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Sobre meu comentário no encontro de maio deste ano do Clube do Livro Junguiano: http://clubedolivrojunguiano.blogspot.com.br/2015/08/o-asno-de-ouro-neila-mesquita-comenta.html Trecho: O comentário da nossa curadora, no entanto, privilegiou certos aspectos do texto, trazendo a atenção do público assistente para as relações dos homens com os eventos perinatais: a gravidez, o puerpéreo, o parto, o sexo.   Em certo ponto de vista, uma criança pode ser vista como a encarnação de uma sizígia. Ela é resultado do encontro entre os opostos mulher e homem. Todo o ciclo perinatal potencialmente constela essa situação de sizígia, significando possibilidade de ampliação de consciência para todos os envolvidos, não apenas para a mãe. Esse foi o fundamento da argumentação da comentadora nesse encontro.   Movimentos como o da humanização do parto, que pretendem que um maior nível de tomada de decisão seja atribuído à gestante, minorando o quanto possível a autoridade médica e...

Esclarecimento sobre as fontes

Alguns leitores me perguntaram quais foram as minhas fontes para a descrição das fases da vida . Peço desde já desculpas por não ter deixado mais claro. Quando me refiro a Psicologia, minha fonte primária é sempre C. G. Jung . A respeito de cada assunto, as informações estão  passim  na obra e o que faço é uma compilação super-sucinta. No post em questão também é assim. As informações oficiais foram pegas basicamente em documentos do MEC sobre educação infantil. Para a divisão com que trabalho, o principal é o texto "As Etapas da Vida Humana", publicado no vol. VIII das obras coletadas de Jung pela editora Vozes. Especificamente sobre a psicologia infanto-juvenil naquele e em posts futuros, o "Tentativa de Apresentação da Teoria Psicanalítica" (no vol. IV) e o "Seminários de Sonhos de Crianças" (vol. complementar) também ajudam bastante, mas são vários os textos, e quando oportuno os comentarei. No entanto, as idades indicadas partem também de...

Gravidez e sonhos com o fim

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Há ainda uma característica plenamente normal à psicologia gravídica e puérpera e que pouco é comentada: são os frequentes sonhos com mortes e o fim do mundo. Tais sonhos podem inclusive assustar a nova mamãe, mas são uma consequência de que, psicologicamente, um extremo "chama" o outro.  Dalí, A Madona de Port Lligat (detalhe) O nascimento é uma ponta no fio da vida, enquanto a morte é a outra ponta. Quando um desses extremos ocupa nossa vida consciente, o extremo correspondente desponta em irrupções do inconsciente. Ou seja, se durante o dia a mãezinha só pensa na barriga ou no neném, de noite a psique materna olha para o outro lado. Como disse, isso é normal, afinal a vida não será mais a mesma de antes. Algo realmente está morrendo (a vida de antes dessa gravidez) e um mundo está acabando para que outro se inicie. Minha sugestão é que a mãe leve a sério as imagens de seus sonhos e aproveite a oportunidade para ampliar o autoconhecimento, conhecer m...

A psicologia normal de uma nova mamãe

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Uma mãe que se conhece é uma mãe melhor, porque é uma pessoa mais inteira. Dvorak, Primavera A gravidez é um momento definidor: trata-se do nascimento de uma criança e do renascimento de uma mulher. Bem se diz que quando nasce um filho, nasce também uma mãe; isso é verdade mesmo quando a mamãe já tem um ou mais filhos, afinal de contas, ser mãe de dois é diferente de ser mãe de três. Na psicologia normal da grávida e da puérpera (a mulher em "resguardo") estão presentes certas características que é possível compreender como adequadas ao momento que estão vivendo. Segue abaixo uma lista de exemplos do que é vivenciado nesse período. choro e irritabilidade fáceis, com variações frequentes de humor (o que pode deixar as pessoas próximas em estado de atenção - e tensão - constantes); insegurança quanto às próprias habilidades para o cuidado com a criança; sono desregulado (pelo incômodo com a barriga, por ter que atender ao choro do recém-nascido, ou mesmo po...

Tristeza e depressão maternas

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Bo Bartlett, Assignation Entre os sintomas usuais de uma depressão estão tristeza profunda, falta de vontade e de interesse em geral, apatia, sono exagerado ou insuficiente, baixa autoestima, palidez, pensamento e fala mais lentos, desleixo com a própria aparência e choro fácil. O que caracteriza a depressão pós-parto (ou pós-natal) e a diferencia de uma depressão comum é que além dos sintomas usuais estão presentes pelo menos um desses sintomas: desinteresse pelo bebê; evitação da criança; vontade de machucar ou mesmo assassinar o recém nascido. A culpa e a vergonha estão muito presentes, sendo possivelmente responsáveis pelo amplo desconhecimento desse transtorno: quantas mulheres encontram a mesma coragem que a atriz americana Brooke Shields teve de assumir o desejo de jogar seu bebê contra parede? A depressão pós-parto atinge de 10 a 20% das mamães. Se for leve, dura cerca de 30 dias e acaba espontaneamente. Porém, se for grave pode durar até dois anos e ...