A imaginação ativa, a fantasia e a imagem



Nosso tema agora será a imaginação ativa. Trata-se de uma técnica dialética particular para lidar com o inconsciente e tem amplo uso psicoterapêutico. Em linhas gerais, trabalha-se com a imaginação ativa quando se busca compreender imagens que o paciente fantasiou de forma parcialmente consciente.

É preciso esclarecer que "fantasia" e "imaginação" são sinônimos. Ambas as palavras denominam tanto a atividade imaginativa quanto seu produto.

A consciência capta o mundo e a si mesma na forma de conteúdos relacionados entre si (ideias, cheiros, impressões, sentimentos...). A isso também chamamos imagens, porque são justamente o produto da atividade imaginativa. Sendo assim, a imaginação ou a fantasia corresponde, por um lado, aos conteúdos psíquicos em geral, e, por outro, à atividade psíquica em geral.

A imaginação pode ser ativa ou passiva, o critério é a participação da consciência. Exemplos de imaginação passiva são os sonhos, as visões, as alucinações, os delírios, os devaneios. A pessoa sente que não foi ela que "inventou", eles simplesmente ocorrem.

Já a imaginação ativa é aquilo que é criado quando "se deixa a imaginação solta", ou seja, quando a consciência adota uma atitude de expectativa para acolher os conteúdos do inconsciente e desenvolver com materiais paralelos.

Para exemplificar, no fantasiar ativo, a pessoa parte dos conhecimentos que tem e toma decisões como: utilizar esta ou aquela cor em um quadro, rimar com esta ou aquela palavra numa poesia, marcar este ou aquele compasso numa música, fotografar este ou aquele exato instante, etc.

Se essa atividade for plenamente consciente, a imagem resultante terá valor apenas estético. Mas caso considere impulsos e inspirações vagas (quer dizer, de origem inconsciente) em suas decisões, mesmo que possam contrariar o bom gosto, o valor psicológico será relevante*.

A imaginação ativa como técnica psicoterapêutica é uma ferramenta poderosa, é contraindicada quando há suspeita de psicose, exige treino e comporta algumas fases. Sobre isso falaremos nos próximos posts.


Até lá!

*A propósito, Jung interpreta que reflete exatamente isto a disparidade na qualidade literária entre o Primeiro e o Segundo Fausto, de Goethe. Convido a lerem!

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