Ideias de Jung sobre a Infância (2)

Pessoas, lamento que justo na semana do dia das crianças eu tenha tido dificuldades para postar. Mas vou compensá-los com um presente: publicarei aqui anotações que fiz para a palestra e que foram cortadas para não torná-la muito extensa.

Trata-se de uma discussão acerca das conferências proferidas na Universidade de Clark. A encomenda era que psicólogos eminentes informassem à plateia suas descobertas científicas e como elas poderiam ser aplicadas ao campo nascente da Psicologia Infantil. A resposta de Jung consiste em seu mais antigo escrito acerca do tema.

Jung parte exatamente daquilo que vem a fundamentar seu método clínico: o experimento e o método das associações. Isso torna o texto ainda mais relevante.

1909: princípios da Psicologia Infantil e sementes da Analítica
Inicialmente, a psicanálise interessa-se pela infância lembrada ou imaginada daquele adulto que está em terapia, ou enquanto objeto de teorizações sobre o desenvolvimento psicossexual. 
Universidade de Clark, EUA, 1909
Em suas cinco conferências à Universidade de Clark, presidida por Stanley Hall, Freud distingue que a teoria psicanalítica veio a intervir junto a uma criança, pela primeira vez, no caso do Pequeno Hans (ou Joãozinho), e que a publicação do caso reforça os construtos aplicados.
Os pais de Joãozinho haviam aderido à psicanálise e foram orientados por Freud através de cartas, em relação à fobia apresentada por seu filho. Antes dessas conferências, mas também em 1909, o caso havia sido publicado na primeira edição do Jahrbuch (Anuário para pesquisas psicanalíticas e psicopatológicas, uma publicação da IPA).
Jung pronuncia três conferências cujo conjunto é denominado "O método das associações". Nessa série ele esclarece possíveis aplicações para o experimento de associações, demonstra a influência da constelação familiar sobre o indivíduo e analisa o caso Aninha, uma menina que acompanhou também por cartas através de um entendido em psicanálise, o pai da menina.
O caso é publicado no ano seguinte no Jahrbuch, ou seja, ainda refletia um Jung psicanalista, embora desde já rejeitando a primazia do instinto sexual. Porém, o texto é revisto em 1915, quando recebe um acréscimo que reforça onde declaradamente o ponto de vista junguiano contradiz-se ao freudiano.




...continua no próximo post...

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