Postagens

Mostrando postagens de 2014

Riscos ao corpo: o caso "Albert e o artista"

Imagem
A eficácia de uma imaginação ativa é verificada pela observação do surgimento de sonhos e de sintomas. Ou por uma mudança neles caso já estejam ocorrendo. Se nada acontece ou se nada muda, essa imaginação não foi bem praticada, houve uma falha.   A respeito dos sintomas, eles também podem ser somáticos. O caso "Albert e o artista", que Marie-Louise von Franz analisa em  A Imaginação Ativa na Psicologia de C. G. Jung ( in: Psicoterapia , editora Vozes), traz exatamente um exemplo disso. Eis o trecho.   Atalanta Fugiens Micahel Maier (crédito questionável) O caso era o de um artista que havia começado a fazer análise por causa de uma tendência  para o alcoolismo e uma sensação geral de desorientação. Uma figura particular de sombra aparecia repetidamente em seus sonhos; vamos chama-la de Albert. Essa figura era um homem esquizoide, altamente inteligente, completamente cínico e amoral,  que na verdade há muito havia se suicidado. ...

A terceira fase: fixação da imagem na matéria

Imagem
Esclarecendo para quem chegou ao blog agora, estamos falando da imaginação ativa, uma técnica psicológica junguiana de eliciação e confronto com material inconsciente. Sua prática pode ser compreendida como se constituindo de quatro fases: libertação, concentração, fixação e compromisso (os nomes das fases são por  minha conta). ´ Já falamos das duas primeiras, agora vamos à terceira. O Homem Vitruviano Leonardo da Vinci Fase 3: fixação "[...] seja relatando-a por escrito, pintando-a, esculpindo-a, escrevendo-a como música ou dançando-a [...]" Nas duas fases anteriores encontramos uma imagem e sua dinâmica. Lembremos que o primeiro ato é sossegar a consciência, com a intenção de acolher os afluxos do material até então inconsciente. O segundo passo é perceber uma imagem que se destaca e nos concentrarmos nela. Não a ponto de a estagnarmos mentalmente, mas o suficiente para observar as transformações que lhe ocorrem, sem que isso se passe como num filme acel...

Fases iniciais de uma imaginação ativa

Imagem
A alquimia é considerada anacronicamente uma imaginação ativa Para entender melhor, leia o post anterior. Lembre-se de que ao todo são quatro fases. Fase 1: libertação "A maioria das técnicas de meditação oriental, como o zen, certos exercícios de ioga, bem como a meditação taoísta, põem-nos diante dessa primeira fase". É um momento usualmente descrito como um esvaziar da mente, cessação do fluxo do pensamento ou expressões afins. Trata-se de uma interrupção da atividade mental consciente para pôr-se disponível aos afluxos do inconsciente. Fase 2: concentração "Ao contrário das técnicas orientais acima mencionadas, neste caso nós acolhemos a imagem ao invés de enxotá-la ou desconsiderá-la, passando a nos concentrar nela" Psicologicamente, esse momento é descrito como se segue: "deixar que uma imagem de fantasia oriunda do inconsciente flua para o campo da percepção interior". Nesse ponto dois erros, inversos, são comuns. Um deles é ...

Clínica reaberta, sejam bem-vindos.

Imagem
Claude Monet (1840 – 1926, Francês) A Mulher com o Parassol - Camille Monet e o Filho Jean O pai comparece nesse quadro... a cada pincelada.   Esta Clínica Psicológica estava fechada para reformas, mas agora volta a suas atividades com novos interesses e o cumprimento da promessa feita em novembro passado: uma série de posts sobre a técnica da imaginação ativa.   Quanto aos interesses, sempre foi expresso que minha área de atuação é a clínica e meu método é o junguiano. Desta forma, o blog trata da clínica psicológica ou da psicoterapia em geral, mas, no que é cabível uma interpretação, ela será embasada em lá se vão dez anos de estudos acerca da teoria e da prática da psicologia analítica.   O que se diz corriqueiramente sobre essa abordagem é que representa uma psicologia da maturidade. Acolho pessoal e profissionalmente o desafio de contestar tal afirmação, portanto, aqui e acolá o tema  por aqui será o de demonstrar c...

Sobre a execução da imaginação ativa

Imagem
Wolfgang Pauli, O Relógio do Mundo Paciente de von Franz (desenho de autoria anônima, a partir das descrições publicadas) Marie-Louise von Franz nos lega uma preciosa explanação sobre essa técnica junguiana em "A Imaginação Ativa" (1978). O texto está publicado pela editora Paulus em uma compilação de artigos da autora intitulada "Psicoterapia". Meus próximos comentários, sobre as fases de tal técnica, constituem-se grosso modo em um resumo desse artigo e as citações que farei serão excertos dele. Primeiramente, é necessário compreender que, dado seja uma técnica, sua aplicação terá mais sucesso quando realizada por um profissional embasado em método e teoria. A autoaplicação, a implementação de alterações ou o uso com fins não psicoterapêuticos não podem ser impedidas, mas devem ser realizadas com cautela e responsabilidade. Von Franz alerta que a técnica bem aplicada terá melhor resultado quando o sujeito não tenha sido submetido a...