A terceira fase: fixação da imagem na matéria
Esclarecendo para quem chegou ao blog agora, estamos falando da imaginação ativa, uma técnica psicológica junguiana de eliciação e confronto com material inconsciente. Sua prática pode ser compreendida como se constituindo de quatro fases: libertação, concentração, fixação e compromisso (os nomes das fases são por minha conta). ´
Já falamos das duas primeiras, agora vamos à terceira.
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| O Homem Vitruviano Leonardo da Vinci |
Fase 3: fixação
"[...] seja relatando-a por escrito, pintando-a, esculpindo-a, escrevendo-a como música ou dançando-a [...]"
Nas duas fases anteriores encontramos uma imagem e sua dinâmica. Lembremos que o primeiro ato é sossegar a consciência, com a intenção de acolher os afluxos do material até então inconsciente. O segundo passo é perceber uma imagem que se destaca e nos concentrarmos nela. Não a ponto de a estagnarmos mentalmente, mas o suficiente para observar as transformações que lhe ocorrem, sem que isso se passe como num filme acelerado interior.
Pois bem, nessa terceira etapa, ou nível, chega o momento de materializarmos orgânica e inorganicamente a imagem que nos afetou. Inscreveremos essa imagem em nosso corpo, nos moveremos seja mais, seja menos, mas nos moveremos e concretizaremos a imagem com ajuda de papel, lápis, pincel, argila, partitura, bandolim, uma sala ampla, ou o que seja o caso, conforme a citação acima.
O que utilizarmos nessa fase passará a compor a imagem, que o diga, cada elemento da imagem tem significado, incluindo o meio que encontramos para a realizar. Também é algo comum que espontaneamente se elabore um ritual como o acendimento de velas ou um gesto peculiar. Tais ritos não são necessários, mas potencializam os efeitos da imaginação por provocar maior participação da matéria.
O caso é que quanto maior seja o investimento físico nessa fase, maior a energia acumulada no processo. No entanto, a imaginação ativa por si só já tem um potencial energético grande. Ela já é suficiente para eliciar sonhos, sincronicidades e sintomas que podem mesmo ser dramáticos. Por conta disso é preferível que o acréscimo de ritos, como disse, desnecessários, seja feito caso o praticante sinta uma necessidade subjetiva. O acréscimo pelo acréscimo, uma artificialidade por um ato de vontade, pode levar essa pessoa a uma situação perigosa e não curativa.
No próximo post trarei o caso "Albert e o artista", para um exemplo de como o corpo participa e se arrisca numa imaginação ativa.
Até lá!

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