Ideias de Jung sobre a Infância (3)

Continuando os comentários às conferências junguianas de 1909...
Maçã para Eva

Clínica e indicadores de complexos
Na primeira conferência, homônima ao conjunto de que faz parte, Jung faz uma breve apresentação do experimento de associações (na época já bastante conhecido), explicando como ele auxilia no reconhecimento de complexos constelados e demonstrando que com ele se podem descobrir até mesmo os segredos mais escondidos ou desconhecidos dos próprios sujeitos experimentais.
São dados exemplos de aplicação do experimento, inclusive no âmbito criminal (uma aplicaçao atual, com algumas alterações, é vista sob a forma do chamado detector de mentiras).
A lista de palavras-estímulo foi elaborada de modo a eliciar, teoricamente, a totalidade dos complexos constelados em um sujeito.
palavras são como que ações, situações e coisas resumidas [...] Certas palavras-estímulo designam ações, situações ou coisas em que a pessoa experimental não conseguiria pensar e agir com segurança e presteza nem na vida real; o mesmo acontece no experimento de associações (Jung, v. II, §944).
As categorias de reações que Jung informa serem indicadores de complexos, em termos gerais, também podem ser percebidas, por exemplo, na situação clínica. A mudez diante de uma pergunta, levar para a terapia um acontecimento que afirma não ter importância, pouca ou muita variação de tom entre uma frase e outra, a repetição dos temas.

Assim como também são grandes indicadores de complexos a ocorrência de produtos de fantasia ativa e passiva (sonhos, desenhos...) e reações corporais (lágrimas, enrubescimento, prisão de ventre...). Tudo isso comparece nas reações de adultos, mas também, observo a vocês, nas reações de crianças.
É em grande parte o método das associações, desenvolvido a partir do experimento de associações, que permitirá perceber o sentido das diferentes reações e, na clínica, a constelação pessoal do paciente.

...continua no próximo post...

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