Ideias de Jung sobre a Infância (5)

Diferentemente do material dos outros posts deste mês, o trago hoje não foi exatamente cortado. Mas trata da terceira e última das conferências de Clark, que fecha o exposto nas anteriores com um estudo de caso.

A esta altura a palestra já aconteceu. Para quem assistiu, é algo que vale a pena ser repetido; para quem não assistiu, uma novidade importante!

Menina com Borboleta

O duplo aspecto da fantasia infantil
A terceira conferência Clark constitui um estudo de caso, publicado com o objetivo expresso de apoiar as tão mal recebidas ideias de Freud publicadas no caso Joãozinho (Análise da Fobia de um Menino de Cinco Anos). 

Em Sobre os Conflitos da Alma Infantil, conhecemos Aninha, uma pequena curiosa às voltas com perguntas como: “por onde meu irmãozinho vai nascer”? "como foi que ele entrou"?
Nesse estudo, além de outras considerações muito importantes, encontramos a indicação de que o fantasiar é uma inclinação básica da criança, constituindo uma projeção de conteúdos inconscientes de forma a que possam ser assimilados pela consciência. Isso alimenta a formação do complexo do eu numa fase em que a criança ainda está muito inconsciente.
A constelação psíquica da criança pode ser vislumbrada a partir de suas fantasias. É também a partir da fantasia que a criança conseguirá resolver ela mesma seus desafios. Assim, poderá superá-los. A ajuda é bem-vinda desde que não atropele ou limite artificialmente o desenvolvimento natural, o que é um grande desafio ao cuidador, sejam pais, educadores ou psicoterapeutas.
Um apego exagerado a essa atividade, o aspecto negativo da fantasia, pode estagnar o desenvolvimento da consciência, como se a criança não quisesse crescer. O caso de uma menina de oito anos e meio, analisado no Seminários sobre Sonhos de Crianças, nos traz um exemplo disso.
Os senhores me perguntam como lidar na prática com crianças assim. Devemos nos dedicar a essa criança, tentar estabilizar sua consciência. A criança deve desenhar para objetivar a fantasia, desse modo o perigo que a ronda se torna mais palpável. A escrita e o desenho geram um certo esfriamento, as fantasias se tornam menos carregadas (p.87).
A criança em questão, à qual chegou a ser aplicado o experimento de associações, sucumbiu ao prognóstico trágico entrevisto através de seus sonhos e faleceu meses após relatar o sonho especificamente analisado nos Seminários.
Esses dois casos servem como contraponto a respeito da fantasia infantil, nos lembrando sua importância e seu perigo. Se essa atividade do espírito é arquetípica e sabemos que o arquétipo tem caracteristicamente um duplo aspecto, não podemos esperar que ela seja boa.
Já se pode perceber que atividades projetivas terão especial importância na psicoterapia infantil. Trabalhar bem com isso requer conhecimento da técnica da imaginação ativa e do método de ampliações, além da mais vasta cultura possível.



E qual será o tema de novembro? Tã, tã, tã...

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