As imaginações ativas são realidades.

O que permite distinguir entre a verdadeira imaginação ativa e suas variações, ou entre ela e outras meditações e iogas é exatamente essa quarta fase: o compromisso do praticante com as imagens que está trabalhando.

Fase 4: compromisso

Gostaria de ilustrar o que acabo de dizer com um exemplo. Certo analisando sonhou que encontrou um casco de cavalo no deserto. O casco era de certo modo muito perigoso e começou a persegui-lo. Era uma espécie de demônio relacionado com o deus [germânico] Wotan. O homem tentou continuar a fantasiar esse sonho em uma imaginação ativa. Ele estava agora correndo montado no cavalo, mas o demônio estava ficando cada vez maior e conseguindo chegar cada vez mais perto. O analisando deu a volta e de algum modo conseguiu esmagar o demônio com os pés. Quando ele me contou isso, fiquei impressionada com a estranha discrepância entre a aparência dele e o resultado da história. Ele parecia assustado e atormentado. Assim sendo disse-lhe que de certa maneira eu não acreditava no final feliz da história, mas não sabia por quê. Uma semana depois ele me confessou que quando o demônio pata de cavalo o alcançou, ele (o analisando) se partiu em dois. Somente uma parte do seu ego [Eu] venceu o demônio; a outra se afastou da ação e ficou observando do lado de fora. Por conseguinte, ele só alcançou a vitória com um ego-herói fictício; seu verdadeiro ego evadiu-se, secretamente dizendo de si para si: "Afinal de contas é apenas fantasia" (Von Franz. A Imaginação Ativa In Psicoterapia, p. 188s).
 É necessário dispor-se às fantasias surgidas em imaginação ativa, comprometer-se com elas. Sem isso, diminui-se a potência que elas têm de revelar as soluções para nossas dificuldades. Essas fantasias são realidades, se não fosse assim o homem acima neste exemplo não teria ficado "assustado e amedrontado"! Ele agiu como se tudo fosse "apenas fantasia", mas sua reação emocional indica que no fundo ele recebeu o impacto e reconheceu que errou em desconsiderar a seriedade do processo.
Bill Mack, Imagination, escultura em areia

Mais postagens virão sobre este assunto fundamental.

Até breve.

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