MpE Convite a andarilhar com Dôra, Doralina

Minha história com "Dôra, Doralina" começou em 1998, no último ano do colégio. Ele fazia parte da relação de livros a ler para o vestibular da Universidade Federal do Ceará daquele ano. Eu iria prestar seleção para o curso de Psicologia e, bem, aqui estamos nós.

Flores de cacto, caatinga nordestina, agosto de 2007.
Foto: FotoNatural Fotografia.
 

A-do-ro letras! Gramáticas, literaturas, linguística... gosto mesmo. E por pouco não optei pelo curso de Letras, confesso. Ah, mas a curiosidade pelo que nos faz intimamente humanos falou mais alto. Além do quê, partindo da Psicologia posso chegar aos meus diversos interesses, incluindo as letras. Exemplo disso é o Mulher por Escrito (MpE), um círculo de leituras sobre o feminino, que se reúne a cada dois meses. Nesse projeto, escolhemos uma obra textual e lemos tendo em mente a seguinte pergunta: o que é uma mulher? E dessa vez quem vai discutir conosco são Rachel e sua Dôra. Ou Doralina, para quem a ama.

Pois bem, minha história com Dôra é antiga. Li com gosto, um texto muito sensível, com o apelo adicional de me lembrar a cada linha do sertão ipuense de onde venho. Do seu sotaque, do seu vocabulário, das suas paisagens, do seu viver e do seu bonito e sofrido renascer.

Li essa autobiografia ficcional de uma mulher que deixa saudade quando você se afasta do livro. Ela, tão interessante, tão corajosa, tão humilde, tão apaixonada, tão calada, tão submetida, me fascinou. E quando chega o dia em que o livro vai ser abordado no colégio (leia-se: interpretado e resumido para a turma, porque "ninguém" vai ler mesmo) o professor o apresenta como uma obra feminista.
 
Ah, professor! Não concordo.
 
Vejo aqui o Livro de Senhora, o Livro da Companhia e o Livro do Comandante. Onde está o Livro de Dôra?
 
Pergunta sem resposta. Alguns protestos de quem também leu o livro e leu resenhas. As mesmas que informaram ao professor que a obra é feminista. Ora, se o resenhador falou é porque é. Ou não é?
 
Mas Dôra desafia as convenções! Ela sai da fazenda, do jugo de Senhora (sua mãe) e vem morar independentemente em Fortaleza depois de viúva. Segue com uma companhia de teatro mambembe, vai rodar o país como atriz. Tem relações casuais, assim como outras personagens, sem que a autora condene esse comportamento. Arrematando, ao encontrar seu amor de vida, vive com ele longos anos sem cogitar casamento, embora nem houvesse impedimentos. Ora, isso é avançadíssimo para uma sertaneja... e  nos anos 40! Esses são os argumentos.
 
Sim, avanços. Liberdade. Decisões próprias. Independência financeira. Relações orientadas mais por desejo ou por amor, do que por papéis assinados.
 
MAS ONDE ESTÁ O LIVRO DE DÔRA?
 
E por quê ela chama seu homem de Comandante? Quem, afinal, comanda o destino de Dôra? E o nosso?
 
Quer me ajudar a descobrir? No Espaço do Bem Viver, dia 8 de agosto (sábado), às 9 da manhã. Ai, vem que vai ser bom!

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