...certo grau de ingenuidade
"Quebrar cabeça" para encontrar as próprias soluções faz parte de amadurecer, afinal, um adulto é aquela pessoa que encara os próprios problemas e toma decisões, responsabilizando-se pelos resultados disso.
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| Imagem: Thiago Trappo Projeto Alice 150 |
O potencial curativo das imaginações ativas depende em grande parte desse aspecto: a não interveniência do terapeuta, significando que se deixe ao próprio paciente a busca por soluções. E isso é desde o início do processo.
Se o profissional sugere um tema para meditação, esse tema deve estar contextualizado e deve ter sido trazido pelo paciente. Oportunidades muito simples são, por exemplo, uma questão importante de um sonho, como um diálogo interrompido, ou uma situação inquietante, ou alguma espécie de impasse.
Nesse momento um simples "O que você faria na vida real?" pode estimular a fantasia e dar início ao processo. Von Franz nos traz o exemplo de um paciente que fantasiou uma relação íntima duradoura com uma mulher sem jamais dizer a ela que era casado.
-Na vida real, você esconderia essa informação?
-Não!
Então o Eu imaginário não é o mesmo Eu do paciente. Ele não está presente, comprometido, com essa fantasia.
As situações que mais comumente atrapalham esse engajamento necessário são uma disposição psicótica efetiva ou latente, neuroses dissociativas mais profundas e intelectualismo exagerado. Por isso, a autora diz que "As imaginações ativas requerem certo grau de ingenuidade" (A Imaginação Ativa In: Psicoterapia, p.190).
E calma que o tema ainda rende...

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