Psicologia do Desenvolvimento e fases da vida
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| Munch, As Quatro Idades |
Hoje eu iria proferir uma palestra na UFC. Iria, pois ocorreu ontem o falecimento da Professora Fátima Sena, uma referência em Psicologia do Trabalho. O departamento de Psicologia está hoje em luto e suspendeu atividades didáticas nesta sexta. De acordo com isso, decidi adiar a palestra.
Então começarei hoje os prometidos comentários ao verbete child psychology.
- Primeiro, um detalhamento. A Psicologia do Desenvolvimento é a área da Psicologia que estuda as etapas do desenvolvimento humano, desde a infância até a velhice. A fase adulta é aquela para a qual se volta a maioria das pesquisas. Quando um estudo se refere a uma das outras fases é que, geralmente, recebe um qualificativo. Então existe Psicologia da Criança, do Adolescente, do Adulto e da Velhice, essas são as quatro fases em que normalmente se divide da vida.
- Segundo, uma explicação. O verbete fala que a Psicologia da Criança estuda do nascimento à adolescência. Há mais de uma maneira de se entender as palavras criança e infante. Uma das definições possíveis é aquele que ainda não é adulto. Esse parece ser o sentido adotado pela equipe da Enciclopédia Britânica.
- Nosso governo tende a definir como criança a pessoa até os 9 anos de idade, a partir daí vem a puberdade (até os 12) e a adolescência (até os 17). A partir dos 18 já se é adulto. Para o psicólogo, há divergências; então o fundamental é que fique clara qual a concepção adotada.
- Também é possível dividir as fases da vida em Infância, Juventude, Maturidade e Velhice. Esta é a distinção com que trabalho. Os marcos etários que indico abaixo podem variar em casos específicos.
- A criança é aquela pessoa que ainda está cumprindo a primeira tarefa desenvolvimentista, qual seja, grossomodo, a formação de um eu capaz de sentimento de subjetividade e de memória contínua. A fase infantil se estende da criança ao púbere.
- A tarefa do púbere é fortalecer a consciência formada na infância; é aquele cuja sexualidade começa a irromper como problema consciente e cuja psique começa mais pronunciadamente a se distinguir da dos pais; esta fase é acompanhada por várias transformações e manifestações corporais, que acentuam o eu de tal forma que a pessoa pode tender a se impor desmedidamente. O processo de percepção dos próprios limites e de identificação com o próprio corpo, iniciado com o nascimento, aqui se estabelecem. Geralmente, vai dos 10 aos 12 anos nas meninas e dos 12 aos 14 nos meninos.
- O adolescente é aquele que ultrapassou a puberdade, mas ainda não compartilha de plenos direitos e deveres; já faz parte do que chamamos de juventude.
- O jovem tem como tarefa a realização de metas como a constituição de uma família e o investimento produtivo na sociedade (ao menos, que tome uma decisão clara quanto a isso). Esta fase vai da adolescência ao meio da vida, que ocorre em algum momento entre os 35 e os 45 anos de idade.
- Na maturidade é importante perceber que as prioridades da vida se invertem. Essa inversão explica, por exemplo, o caso bem comum de pais ausentes se tornarem avôs babões. Num exemplo feminino, também comum, a mãe que sempre se dedicou à família cria coragem de realizar o sonho de montar seu negócio. Quanto maior a resistência a essa mudança, geralmente, maior o peso e o alcance da famosa crise de meia-idade. Divórcios também são comuns nesta fase, pois o redirecionamento nem sempre permite que ambos os parceiros sigam juntos em harmonia.
- A velhice é uma fase caracterizada pela progressiva falência corporal e pela substituição de valores materiais por espirituais. Quando o desenvolvimento é saudável, é comum que vida siga até seu epílogo sem que ocorra a senilidade.
Bom, depois trato de outros pontos do verbete.
Abraços e boa sorte!
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