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Mostrando postagens de 2013

A imaginação ativa, a fantasia e a imagem

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Nosso tema agora será a imaginação ativa. Trata-se de uma técnica dialética particular para lidar com o inconsciente e tem amplo uso psicoterapêutico. Em linhas gerais, trabalha-se com a imaginação ativa quando se busca compreender imagens que o paciente fantasiou de forma parcialmente consciente. É preciso esclarecer que "fantasia" e "imaginação" são sinônimos. Ambas as palavras denominam tanto a atividade imaginativa quanto seu produto. A consciência capta o mundo e a si mesma na forma de conteúdos relacionados entre si (ideias, cheiros, impressões, sentimentos...). A isso também chamamos imagens, porque são justamente o produto da atividade imaginativa. Sendo assim, a imaginação ou a fantasia corresponde, por um lado, aos conteúdos psíquicos em geral, e, por outro, à atividade psíquica em geral. A imaginação pode ser ativa ou passiva, o critério é a participação da consciência. Exemplos de imaginação passiva são os sonhos, as visões, as alucinaç...

Ideias de Jung sobre a Infância (5)

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Diferentemente do material dos outros posts deste mês , o trago hoje não foi exatamente cortado. Mas trata da terceira e última das conferências de Clark, que fecha o exposto nas anteriores com um estudo de caso. A esta altura a palestra já aconteceu. Para quem assistiu, é algo que vale a pena ser repetido; para quem não assistiu, uma novidade importante! Menina com Borboleta O duplo aspecto da fantasia infantil A terceira conferência Clark constitui um estudo de caso , publicado com o objetivo expresso de apoiar as tão mal recebidas ideias de  Freud  publicadas  no caso Joãozinho ( Análise da Fobia de um Menino de Cinco Anos ).  Em Sobre os Conflitos da Alma Infantil , conhecemos Aninha , uma pequena curiosa às voltas com perguntas como: “por onde meu irmãozinho vai nascer”? "como foi que ele entrou"? Nesse estudo, além de outras considerações muito importantes, encontramos a indicação de que o fantasiar é uma inclinação básica da criança, consti...

Ideias de Jung sobre a Infância (4)

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Sobre a segunda das conferências Clark ... não é a inculcação de verdades pedagógicas que exerce influência moldadora sobre o caráter da pessoa em formação; o que tem maior influência é a atitude emocional, pessoal e inconsciente dos pais e educadores Meus Avós, Meus Pais e Eu - Árvore da Família A constelação familiar Na segunda das conferências de 1909 sobre Psicologia Infantil , Jung traz pesquisas comparativas de uma de suas alunas - Emma Fürst - acerca das respostas de membros de uma mesma família ao experimento. Os resultados demonstram uma forte influência da constelação de complexos dos pais sobre as gerações posteriores, bem como delineiam em que medida a constituição psíquica de um membro tende a coincidir com a de outro (considerando entre si irmãos, irmãs, pais e filhos e o próprio casal). Sendo assim, chama constelação familiar à maneira típica com que os membros de determinada família respondem ao experimento, o que deixa entrever o modo como estão relaciona...

Ideias de Jung sobre a Infância (3)

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Continuando os comentários às  conferências junguianas de 1909 ... Maçã para Eva Clínica e indicadores de complexos Na primeira conferência , homônima ao conjunto de que faz parte, Jung faz uma breve apresentação do experimento de associações (na época já bastante conhecido), explicando como ele auxilia no reconhecimento de complexos constelados e demonstrando que com ele se podem descobrir até mesmo os segredos mais escondidos ou desconhecidos dos próprios sujeitos experimentais. São dados exemplos de aplicação do experimento, inclusive no âmbito criminal (uma aplicaçao atual, com algumas alterações, é vista sob a forma do chamado detector de mentiras ). A lista de palavras-estímulo foi elaborada de modo a eliciar, teoricamente, a totalidade dos complexos constelados em um sujeito. palavras são como que ações, situações e coisas resumidas [...] Certas palavras-estímulo designam ações, situações ou coisas em que a pessoa experimental não conseguiria pensar e agir com...

Ideias de Jung sobre a Infância (2)

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Pessoas, lamento que justo na semana do dia das crianças eu tenha tido dificuldades para postar. Mas vou compensá-los com um presente: publicarei aqui anotações que fiz para a palestra e que foram cortadas para não torná-la muito extensa. Trata-se de uma discussão acerca das conferências proferidas na Universidade de Clark. A encomenda era que psicólogos eminentes informassem à plateia suas descobertas científicas e como elas poderiam ser aplicadas ao campo nascente da Psicologia Infantil. A resposta de Jung consiste em seu mais antigo escrito acerca do tema. Jung parte exatamente daquilo que vem a fundamentar seu método clínico: o experimento e o método das associações. Isso torna o texto ainda mais relevante. 1909: princípios da Psicologia Infantil e sementes da Analítica Inicialmente, a psicanálise interessa-se pela infância lembrada ou imaginada daquele adulto que está em terapia, ou enquanto objeto de teorizações sobre o desenvolvimento psicossexual.  Universidad...

Ideias de Jung sobre a Infância (1)

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Em setembro, o tema do blog foi a infância. Neste mês o tema será o mesmo, porém com uma variação: trarei para vocês drops de reflexões que tratarei mais extensamente na palestra do dia 18 . Nicolaas Rubens com Cordão de Coral Durante a palestra tratarei de noções (junguianas) que considero básicas à compreensão da psicologia infantil, como a fantasia, a formação do eu e as relações com os adultos de referência. Estão convidados pais, médicos e educadores, além dos colegas psicólogos. Ou seja, os cuidadores, ligados às crianças por laços vocacionais familiares ou profissionais, serão bem-vindos. Minha intenção é de que colham benefícios com o que será dito, cada um a sua maneira. Devo avisar que este post, no entanto, talvez interesse mais aos pesquisadores, ou àqueles que desejem preparar-se para acompanhar melhor minha exposição durante a palestra. Nos escritos de C. G. Jung, fundador da Psicologia Analítica, a infância aparece como tema principal em poucos textos...

Vigotski e a imaginação infantil

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                   As possibilidades de agir com liberdade, que surgem na consciência do   homem, estão intimamente ligadas à imaginação (Vigotski). O psicólogo bielo-russo  Vigotski (ou Vygotsky , como mencionado no post anterior )* desenvolveu estudos sobre o desenvolvimento das funções humanas superiores (pensamento, linguagem, imaginação, vontade...). Symons, Molly no Jardim Na série de conferências publicada como  O Desenvolvimento Psicológico da Criança , a imaginação (dentre outros temas) é analisada. Uma definição é proposta e suas relações com o pensamento realista e com a vontade são discutidas. O psicólogo começa cada uma de suas conferências com um histórico dos estudos sobre determinado tópico, em seguida ele trata das ideias contemporâneas (sempre apontando os pontos fortes e fracos de cada concepção). Considerando o exposto, ele finalmente explana sua concepção sobre o assunto. Sobre...

De Darwin a Piaget

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Charles Darwin aos Seis com sua Irmã Catherine Hoje encerro os comentários sobre o verbete child psychology , da Enciclopédia Britânica. A despeito de provir de uma fonte leiga, é bastante informativo. Ficou alguma dúvida? Me pergunte! A psicologia é uma ciência de formalização tardia, pois nasce no fim do século XIX. Entre outras, uma das consequências é que os fundadores dos sistemas com que trabalhamos hoje vieram de campos mais antigos, claro. No campo específico da  psicologia infantil isto também é assim. O estudo geral da criança era chamado pedologia . Como ramo do conhecimento, acabou substituído por algumas especialidades, em especial pela psicologia infantil. Um pedólogo conhecido é Lev Seminovic Vygotsky, que competentemente constituiu uma psicologia genética (psicologia das origens de alguma ou algumas capacidades psíquicas). Também Jean Piaget, biólogo de formação, constitui uma psicologia genética, sua produção científica é extremamente vasta e seus ...

Esclarecimento sobre as fontes

Alguns leitores me perguntaram quais foram as minhas fontes para a descrição das fases da vida . Peço desde já desculpas por não ter deixado mais claro. Quando me refiro a Psicologia, minha fonte primária é sempre C. G. Jung . A respeito de cada assunto, as informações estão  passim  na obra e o que faço é uma compilação super-sucinta. No post em questão também é assim. As informações oficiais foram pegas basicamente em documentos do MEC sobre educação infantil. Para a divisão com que trabalho, o principal é o texto "As Etapas da Vida Humana", publicado no vol. VIII das obras coletadas de Jung pela editora Vozes. Especificamente sobre a psicologia infanto-juvenil naquele e em posts futuros, o "Tentativa de Apresentação da Teoria Psicanalítica" (no vol. IV) e o "Seminários de Sonhos de Crianças" (vol. complementar) também ajudam bastante, mas são vários os textos, e quando oportuno os comentarei. No entanto, as idades indicadas partem também de...

Psicologia do Desenvolvimento e fases da vida

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Munch, As Quatro Idades Hoje eu iria proferir uma palestra  na  UFC. Iria, pois ocorreu ontem o falecimento da Professora Fátima Sena, uma referência em Psicologia do Trabalho. O departamento de Psicologia está hoje em luto e suspendeu atividades didáticas nesta sexta. De acordo com isso, decidi adiar a palestra. Então começarei hoje os prometidos comentários ao verbete child psychology . Primeiro, um detalhamento. A Psicologia do Desenvolvimento é a área da Psicologia que estuda as etapas do desenvolvimento humano, desde a infância até a velhice. A fase adulta é aquela para a qual se volta a maioria das pesquisas. Quando um estudo se refere a uma das outras fases é que, geralmente, recebe um qualificativo. Então existe Psicologia da Criança, do Adolescente, do Adulto e da Velhice, essas são as quatro fases em que normalmente se divide da vida. Segundo, uma explicação. O verbete fala que a Psicologia da Criança estuda do nascimento à adolescência . Há mais d...

Da Enciclopédia Britânica: child psychology

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D’Entraygues, A Mesa das Crianças Um início interessante para nossas reflexões sobre a Psicologia Infantil é verificar o que um meio tradicional como a Encyclopedia Britannica publica sobre o tema. Vamos tomar a enciclopédia como representando o conhecimento leigo esclarecido, já que nem todos os verbetes são assinados, mas é possível verificar uma boa parte das informações. Vou traduzir agora informações que constam do verbete child psychology . Este verbete não vem com indicação de autoria, ou seja, foi redigido pela equipe de pesquisadores da Enciclopédia e não por algum profissional da área. Em um outro post farei comentários do ponto de vista científico e profissional.  Psicologia da Criança , também chamada de desenvolvimento infantil , [é] o estudo do processo psicológico das crianças e, especialmente, como esses processos diferem daqueles dos adultos, como eles desenvolvem do nascimento ao fim da adolescência, e como e por que eles diferem ...

Psicologia Infantil

Há várias formas de compreender a psicologia humana, cada abordagem psicológica reflete uma tendência e a precisão na definição dos conceitos é o que possibilita a comunicação dos conhecimentos. Já os resultados são alcançados pela operação segura do método pelo profissional escolhido e pela confiança  do cliente, ou paciente, nesse profissional. As primeiras publicações de C. G. Jung  sobre a Psicologia Infantil datam de 1909, em uma série de conferências sobre o método de associações. Com esses primeiros textos, Jung testemunha e participa do nascimento das abordagens psicodinâmicas da infância. A importância das contribuições junguianas sobre a psicologia da criança ainda não foi devidamente reconhecida por nossa comunidade epistêmica. No entanto, o corpus de sua  psicologia nos dá firmes elementos para a compreensão e a prática da psicoterapia infantil nos dias de hoje. No dia 13 deste mês realizarei uma palestra com o título "Ideias de Jung sobre a Infânci...

Gravidez e sonhos com o fim

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Há ainda uma característica plenamente normal à psicologia gravídica e puérpera e que pouco é comentada: são os frequentes sonhos com mortes e o fim do mundo. Tais sonhos podem inclusive assustar a nova mamãe, mas são uma consequência de que, psicologicamente, um extremo "chama" o outro.  Dalí, A Madona de Port Lligat (detalhe) O nascimento é uma ponta no fio da vida, enquanto a morte é a outra ponta. Quando um desses extremos ocupa nossa vida consciente, o extremo correspondente desponta em irrupções do inconsciente. Ou seja, se durante o dia a mãezinha só pensa na barriga ou no neném, de noite a psique materna olha para o outro lado. Como disse, isso é normal, afinal a vida não será mais a mesma de antes. Algo realmente está morrendo (a vida de antes dessa gravidez) e um mundo está acabando para que outro se inicie. Minha sugestão é que a mãe leve a sério as imagens de seus sonhos e aproveite a oportunidade para ampliar o autoconhecimento, conhecer m...

A psicologia normal de uma nova mamãe

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Uma mãe que se conhece é uma mãe melhor, porque é uma pessoa mais inteira. Dvorak, Primavera A gravidez é um momento definidor: trata-se do nascimento de uma criança e do renascimento de uma mulher. Bem se diz que quando nasce um filho, nasce também uma mãe; isso é verdade mesmo quando a mamãe já tem um ou mais filhos, afinal de contas, ser mãe de dois é diferente de ser mãe de três. Na psicologia normal da grávida e da puérpera (a mulher em "resguardo") estão presentes certas características que é possível compreender como adequadas ao momento que estão vivendo. Segue abaixo uma lista de exemplos do que é vivenciado nesse período. choro e irritabilidade fáceis, com variações frequentes de humor (o que pode deixar as pessoas próximas em estado de atenção - e tensão - constantes); insegurança quanto às próprias habilidades para o cuidado com a criança; sono desregulado (pelo incômodo com a barriga, por ter que atender ao choro do recém-nascido, ou mesmo po...

Tristeza e depressão maternas

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Bo Bartlett, Assignation Entre os sintomas usuais de uma depressão estão tristeza profunda, falta de vontade e de interesse em geral, apatia, sono exagerado ou insuficiente, baixa autoestima, palidez, pensamento e fala mais lentos, desleixo com a própria aparência e choro fácil. O que caracteriza a depressão pós-parto (ou pós-natal) e a diferencia de uma depressão comum é que além dos sintomas usuais estão presentes pelo menos um desses sintomas: desinteresse pelo bebê; evitação da criança; vontade de machucar ou mesmo assassinar o recém nascido. A culpa e a vergonha estão muito presentes, sendo possivelmente responsáveis pelo amplo desconhecimento desse transtorno: quantas mulheres encontram a mesma coragem que a atriz americana Brooke Shields teve de assumir o desejo de jogar seu bebê contra parede? A depressão pós-parto atinge de 10 a 20% das mamães. Se for leve, dura cerca de 30 dias e acaba espontaneamente. Porém, se for grave pode durar até dois anos e ...

Sobre o blog

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Além da marcação de horários, aqui você encontrará informações sobre psicoterapia e teoria psicológica aplicadas a várias as idades. Psicopatologia e outras reflexões igualmente serão discutidas, sempre a partir da Psicologia Analítica. Haverá também comentários sobre os estudos de C. G. Jung, Marie-Louise von Franz e alguns outros psicólogos ou temas relevantes. Boas leituras!